
Exterogestação: os cuidados da “gestação fo…
Exterogestação pode parecer um termo complexo, mas é um conceito simples e cada vez mais discutido entre pais e especialistas. Criada pelo antropólogo Ashley Montagu e popularizada pelo pediatra Harvey Karp, a exterogestação propõe que a gravidez completa dure 12 meses e não apenas os tradicionais 9 meses de gestação dentro do útero. Essa teoria sugere que os primeiros três meses de vida do bebê fora da barriga ainda fazem parte de uma adaptação e exigem cuidados especiais para ajudá-lo a fazer a transição do útero para o mundo externo.
A proposta é tentar recriar o ambiente uterino o máximo possível durante esses primeiros três meses de vida. Quando o bebê nasce, ele enfrenta um mundo muito diferente do que estava acostumado: temperaturas variáveis, barulhos altos, toque direto na pele. Esse novo ambiente pode causar desconforto e insegurança. A ideia da exterogestação é proporcionar um período de adaptação mais gradual, criando condições que imitam o ambiente uterino para que o bebê se sinta mais seguro. A seguir, veja as principais práticas dessa abordagem:
O conforto do sono e o contato com os pais
Uma das principais questões da exterogestação é o sono do bebê. No útero, ele estava completamente protegido e próximo das paredes uterinas. Ao nascer, essa sensação de proximidade pode ser recriada com práticas como o uso de slings ou a cama compartilhada durante os primeiros meses. Para famílias que preferem uma alternativa, o berço acoplado à cama dos pais também é indicado. Essas opções permitem que o bebê sinta a presença dos pais, reduzindo o desconforto da mudança.
Outra prática sugerida pela exterogestação é carregar o bebê no sling ao longo do dia. O sling promove o contato direto com o corpo dos pais, transmitindo calor e aconchego. Essa sensação de proximidade e movimento é familiar para o bebê e ajuda a acalmá-lo, facilitando a transição para a vida fora do útero.
Amamentação em livre demanda
No útero, o bebê recebe nutrientes de forma constante, sem pausas de tempo. Após o nascimento, uma das recomendações da exterogestação é amamentar o bebê em livre demanda, ou seja, sempre que ele sinalizar fome. Essa prática vai sendo adaptada conforme o tempo passa, até que o bebê e a família se ajustem a uma rotina de alimentação.
A livre demanda também tem o benefício de reforçar o vínculo com a mãe, além de ajudar a acalmar o bebê. Com o tempo, a frequência de amamentação começa a diminuir naturalmente, conforme o bebê se adapta e estabelece um padrão de alimentação.
Ambiente calmo e silencioso para o bebê
Outro aspecto importante é o controle de luz e som no ambiente onde o bebê passa a maior parte do tempo. O ambiente ideal deve ter luz baixa e estar livre de barulhos intensos, como músicas altas, gritos ou ruídos de televisão. A ideia é reproduzir o ambiente silencioso do útero, onde o bebê só ouvia sons abafados.
No entanto, sons que lembram os ruídos uterinos, como o som constante de um “shhhh”, aspiradores de pó ou secadores de cabelo, são bem-vindos. Esses sons podem ser produzidos manualmente ou até encontrados na internet, em vídeos de “white noise” (ruído branco) ou “sons do útero”. Esse tipo de som ajuda a acalmar o bebê, criando uma atmosfera familiar que lembra o tempo que ele passou na barriga da mãe.
Enrolar o bebê em uma manta: uma técnica de acolhimento
O uso de uma manta para enrolar o bebê pode transmitir segurança, pois reproduz a sensação de proteção do útero. Para isso, envolva o bebê em uma manta fina, deixando-o confortável, mas sem apertá-lo demais. Coloque o bebê (do pescoço para baixo) sobre o pano aberto, cubra um lado do corpo com uma ponta, depois leve a ponta de baixo para cima e termine cobrindo com a outra ponta. É importante acompanhar o bebê enquanto ele estiver enrolado, para evitar que o tecido se solte e cubra o rosto. Além disso, leve em conta a temperatura do ambiente para não superaquecer o bebê.
Banho de ofurô para relaxamento e conforto
O banho de imersão no estilo ofurô é outra prática recomendada para recriar a sensação uterina. Esse banho é dado em uma banheira que se assemelha a um balde, permitindo que o bebê se sinta envolto pela água morna em um espaço menor. Esse tipo de banho pode ser um pouco mais longo que o banho tradicional e oferece ao bebê um momento de relaxamento. A prática do ofurô lembra o tempo em que ele estava no líquido amniótico, proporcionando uma experiência de conforto e acolhimento.
O desenvolvimento do bebê e o vínculo familiar
De acordo com os teóricos da exterogestação, esses cuidados iniciais são fundamentais para o desenvolvimento emocional e físico do bebê. O período de adaptação gradual fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, criando uma base de confiança e segurança que será importante ao longo da infância. Além disso, esses cuidados ajudam a reduzir o estresse do recém-nascido, favorecendo o desenvolvimento neurológico e comportamental.